Uma vitória para a história
Aos leitores do blog e colegas do grupo, muito obrigado pelos comentários sobre as cartas que venho escrevendo durante os playoffs.
Ontem deveria ter enviado alguma carta sobre o jogo 4, provavelmente para Jakub Kindl.
Tão surpreendente quanto perceber que os Red Wings lideram a série contra os Blackhawks por 3-1 é constatar a notável evolução de Kindl, que até outro dia era só mais um defensor anônimo, bom para a AHL, e agora é o defensor que você quer no gelo se o Detroit precisa marcar um gol.
Kindl esteve no gelo em 12 dos 28 gols marcados pelos Wings nos playoffs, dois a menos que Henrik Zetterberg e um a menos que Pavel Datsyuk.
Entre os seus pares, Kindl é o líder em pontos (quatro), segundo em saldo (+3), primeiro em pontos em vantagem numérica (dois) e primeiro em chutes a gol (19).
No jogo 4, fez o gol da vitória, o gol mais importante de sua carreira no melhor jogo de sua carreira. Palavras suas.
Mas Kindl não tem sido apenas um defensor ofensivo. Entre os defensores do Detroit que disputaram todos os jogos dos playoffs, ele é o que menos sofreu gols, apenas seis em 27, um a menos que Jonathan Ericsson, três a menos que Kyle Quincey.
E ele foi o único que experimentou parceiros diferentes ao longo dos playoffs. Kindl jogou com o inexperiente Danny DeKeyser, com o inexperiente Brian Lashoff e agora está ao lado do veterano Carlo Colaiacovo, com quem forma uma dupla muito eficiente.
Se eu não escrevesse para Kindl, teria que escrever para Jimmy Howard.
O goleiro foi o responsável por derrubar duas máximas: o Chicago havia marcado gol em todos os jogos e não havia perdido três jogos seguidos. Até o jogo 4 da segunda fase dos playoffs.
Howard roubou o jogo na maior atuação de sua carreira. Não sou o único torcedor a escrever que tinha certeza que ele não sofreria gol nos momentos de pressão. Howard estava muito seguro, intransponível, parecia um polvo. É, Howard jogou com oito braços na quinta-feira.
O Detroit não fez o seu melhor jogo, especialmente no primeiro período. A defesa errou muito, diversas das chances de gol experimentadas pelo Chicago nasceram de erros dos Wings, o que só aumenta ainda mais o tamanho da performance de Howard.
Ele foi o responsável por frustrar o adversário. Se não fossem as suas 14 defesas no primeiro período, Jonathan Crosby Toews não teria cometido um Toews-trick (três penalidades consecutivas em 5:34) no segundo período e, consequentemente, Kindl não teria marcado o gol da vitória em vantagem numérica.
Howard é o jogador mais importante do time nestes playoffs. Ele é o Conn Smythe dos Red Wings.
Foram 95% de defesas no jogo 2, 97,5% no jogo 3 e 100% no jogo 4. E hoje, no jogo 5, vai defender o quê, 102,5%?!
Desta vez, os Red Wings podem entrar para a história pelo lado vencedor, como os Ducks de 2003 e os Oilers de 2006, que eliminaram justamente os Red Wings, mesmo com times muito inferiores, mas que jogavam com mais vontade, que queriam a vitória mais do que o Detroit.
O jogo 4 é perfeito para descrever este momento. Foi inesquecível, emocionante, indescritível. Perdoem o clichê. Quem viu, viu, não precisa de relato, notícia, informação.
É por isso que ontem não mandei nenhuma carta. Se mandasse, escreveria apenas: "Caralho! Puta que pariu! Red Wings, porra!"





