sábado, 25 de maio de 2013

Uma vitória para a história



Aos leitores do blog e colegas do grupo, muito obrigado pelos comentários sobre as cartas que venho escrevendo durante os playoffs.

Ontem deveria ter enviado alguma carta sobre o jogo 4, provavelmente para Jakub Kindl.

Tão surpreendente quanto perceber que os Red Wings lideram a série contra os Blackhawks por 3-1 é constatar a notável evolução de Kindl, que até outro dia era só mais um defensor anônimo, bom para a AHL, e agora é o defensor que você quer no gelo se o Detroit precisa marcar um gol.

Kindl esteve no gelo em 12 dos 28 gols marcados pelos Wings nos playoffs, dois a menos que Henrik Zetterberg e um a menos que Pavel Datsyuk.

Entre os seus pares, Kindl é o líder em pontos (quatro), segundo em saldo (+3), primeiro em pontos em vantagem numérica (dois) e primeiro em chutes a gol (19).

No jogo 4, fez o gol da vitória, o gol mais importante de sua carreira no melhor jogo de sua carreira. Palavras suas.

Mas Kindl não tem sido apenas um defensor ofensivo. Entre os defensores do Detroit que disputaram todos os jogos dos playoffs, ele é o que menos sofreu gols, apenas seis em 27, um a menos que Jonathan Ericsson, três a menos que Kyle Quincey.

E ele foi o único que experimentou parceiros diferentes ao longo dos playoffs. Kindl jogou com o inexperiente Danny DeKeyser, com o inexperiente Brian Lashoff e agora está ao lado do veterano Carlo Colaiacovo, com quem forma uma dupla muito eficiente.

Se eu não escrevesse para Kindl, teria que escrever para Jimmy Howard.

O goleiro foi o responsável por derrubar duas máximas: o Chicago havia marcado gol em todos os jogos e não havia perdido três jogos seguidos. Até o jogo 4 da segunda fase dos playoffs.

Howard roubou o jogo na maior atuação de sua carreira. Não sou o único torcedor a escrever que tinha certeza que ele não sofreria gol nos momentos de pressão. Howard estava muito seguro, intransponível, parecia um polvo. É, Howard jogou com oito braços na quinta-feira.

O Detroit não fez o seu melhor jogo, especialmente no primeiro período. A defesa errou muito, diversas das chances de gol experimentadas pelo Chicago nasceram de erros dos Wings, o que só aumenta ainda mais o tamanho da performance de Howard.

Ele foi o responsável por frustrar o adversário. Se não fossem as suas 14 defesas no primeiro período, Jonathan Crosby Toews não teria cometido um Toews-trick (três penalidades consecutivas em 5:34) no segundo período e, consequentemente, Kindl não teria marcado o gol da vitória em vantagem numérica.

Howard é o jogador mais importante do time nestes playoffs. Ele é o Conn Smythe dos Red Wings.

Foram 95% de defesas no jogo 2, 97,5% no jogo 3 e 100% no jogo 4. E hoje, no jogo 5, vai defender o quê, 102,5%?!

Desta vez, os Red Wings podem entrar para a história pelo lado vencedor, como os Ducks de 2003 e os Oilers de 2006, que eliminaram justamente os Red Wings, mesmo com times muito inferiores, mas que jogavam com mais vontade, que queriam a vitória mais do que o Detroit.

O jogo 4 é perfeito para descrever este momento. Foi inesquecível, emocionante, indescritível. Perdoem o clichê. Quem viu, viu, não precisa de relato, notícia, informação.

É por isso que ontem não mandei nenhuma carta. Se mandasse, escreveria apenas: "Caralho! Puta que pariu! Red Wings, porra!"

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Detroit 3-1 na série

Hoje cedo (também conhecido como "ontem") eu disse isso:

"Na pós-temporada não existe essa história de jogar bem e perder, se isso acontece você quer se matar, e pensa que era melhor então ter jogado mal."


Era assim que os Red Wings funcionavam. Se jogavam feio, perdiam. Se jogavam bonito, às vezes perdiam. Hoje não.

Os Wings falharam na defesa, criaram pouco no ataque e pareciam um time comandado pelo Dunga. Mas o Dunga não tinha James Howard, que pegou todos os chutes para conseguir mais um shutout.

Não sei se podemos dizer que os Wings jogaram feio. Fizeram um gol em vantagem numérica, o primeiro destes que Chicago levou nos playoffs. Forçaram três penalidades consecutivas de Jonathan Toews, o que foi lindo. Brian Bickell levou um tranco do vento, o que foi melhor ainda. E, principalmente, mesmo no último período, com os Blackhawks tendo que pressionar, a vitória de Detroit não pareceu gravemente ameaçada em momento algum.

Nós já sabíamos que esse time poderia ser rápido, habilidoso ou esforçado. Hoje surgiu a maturidade. Nada está decidido, mas essa equipe com certeza recuperou o respeito que perdeu nas últimas temporadas.

Próximo jogo sábado, em Chicago, pela série. Que vença o melhor, e que sejam os Red Wings.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Isso está divertido

Acho que nunca dei tanta risada em época de playoffs. Até porque eu odeio os playoffs. Na pós-temporada não existe essa história de jogar bem e perder, se isso acontece você quer se matar, e pensa que era melhor então ter jogado mal. Mas esse ano as coisas estão bem engraçadas.

James Howard faz uma defesa absurda? Risos. A 3ª linha segura o disco na zona ofensiva por 15 horas? Mais risos. Gustav Nyquist faz chover e envergonha metade do elenco de Chicago a caminho do maior gol de sua carreira? Mais risos e risos e risos.

E não estou só falando de mim. Nyquist e Damien Brunner deram risada após o gol. Kyle Quincey deu risada quando os Blackhawks vieram pra cima dele antes de ir para o banco de penalidades (parecia D'Alessandro e William). E Dan(ny[el]) Cleary não deu risada, mas quando Cleary foi arremessado às traves pelo Bickell, ou atingido na cabeça por mais um disco voador, nós gargalhamos e nos sentimos culpados (sério, Cleary é tipo o nosso Wile E. Coyote).

Como é bom não ter pressão, como é bom ser azarão. Provavelmente é por isso que finalmente os Red Wings começaram a jogar mais soltos, claramente leves, com mais alegria. Provavelmente é por isso que os Blackhawks estão frustrados. É hilário assistir o favorito se frustrando com o adversário mais fraco. Nós nunca percebemos isso, porque nós éramos os frustrados, mas esse ano? Risos.

Não sei onde, mas a melhor frase que vi para descrever esse time dos Red Wings foi "eles são muito jovens, muito ingênuos e muito burros pra saber que deveriam perder essa série". Claro, tudo pode mudar e a equipe pode virar abóbora hoje à noite, mas por enquanto está tudo bem, então dane-se. Essa frase já foi dita em muito lugares, e geralmente vem acompanhada de outra. "Os Red Wings já foram mais longe do que pensávamos, o que vier agora é lucro".

E eu não vou discordar dessa outra frase. Realmente, o que vier agora é lucro. Mas as pessoas dizem isso como se já estivessem satisfeitas pelo "grande acontecimento" de ter ficado por dois dias à frente de Chicago na série. Aqui não. Aqui sonhamos com o lucro, queremos com o lucro, e não aceitamos nada menos do que lucro. Capitalismo e Red Wings, tudo a ver.

Let's Go, Red Wings!
Talvez seja exagero sonhar tão alto, mas esse time está jogando tão bem, e com tanta vontade, e com tanto orgulho e até uma certa arrogância, que não tem como não pensar nisso. No fim das contas, é só isso que pedimos. E poucos explicaram tão bem quanto Mike Babcock:
"Quando você veste essa camisa, existe uma obrigação com Gordie Howe, Ted Lindsay, e com aqueles que vieram antes de você, uma obrigação de competir como um Red Wing. Não acho que exista a obrigação de ganhar como um Red Wing, mas existe sim a obrigação de se preparar para as oportunidades que você receber".

Não sei o que aconteceu com Babcock esse ano. Não sei se foi a obrigação de colocar a garotada no gelo, a certeza que Howard o ajudaria a cobrir essas apostas, ninguém sabe o que foi. Claro, ele continuou sendo um teimoso, mas dessa vez foi um teimoso mais sensível. O próprio Babcock já assumiu que, depois de um tempo, todo jogador começa a ouvir a voz da professora do Charlie Brown, e que às vezes mudanças devem acontecer.

Sempre pareceu que essas mudanças a que ele se referia deveriam ser feitas com o carrossel de treinadores, ou dentro do elenco, mas neste ano a mudança foi nele mesmo. Desta vez Babcock deu risada, não fuzilou tantos repórteres com o olhar, admitiu estar se divertindo. Essa alteração fica perceptível ao olhar para o time e sua maneira de jogar, ou ao vê-lo defender Brendam Smith, e entramos num dilema de Tostines que eu não tenho interesse algum em saber a resposta. Babcock mudou o time ou o time mudou Babcock?

Não importa, o que nos parece é só que esses são os Red Wings que vão nos marcar. O time do ano passado foi melhor, e um ano antes melhor ainda. Mas os Wings de hoje tem personalidade, e todo mundo quer ver o narigudo Brunner dar risada, e Pavel Datsyuk nos fazendo dar risada, e Henrik Zetterberg assombrando meio mundo.

Em 1998 tínhamos acabado de ser campeões. Em 2002 o título era obrigação. Em 2008 era o fim de uma geração. Agora, 2013, talvez seja o time mais próximo de 1997 que a gente tenha visto (pra quem viu aquele). É um grupo de jogadores que se decepcionou (e nos decepcionou) muitas vezes nos últimos anos, com caras novas que parecem estar em Detroit há anos.

E pra quem fala que Detroit tem que começar a perder, que só assim um time pode se reerguer na NHL do século XXI? Chupa, meu filho. Detroit está na frente dos Blackhawks, e Grand Rapids está na final da conferência oeste na AHL. Nyquist, Brunner, Joakim Andersson, Smith, DeKeyser? Mesmo sem eles, os Griffins estão voando, ainda com Petr Mrazek, Tomas Tatar, Tomas Jurco, Riley Sheahan, Landon Ferraro, Teemu Pulkkinen e mais um monte de moleques que em cinco anos vão estar em Detroit.

Já faz 22 anos, e ninguém aprende. Os Red Wings não se reconstroem, os Red Wings se recarregam. Enquanto isso? Babcock ainda é nosso, Howard ainda é nosso, Datsyuk e Zetterberg ainda são nossos, e agora tem companhia.

Essa é nossa última temporada na conferência Oeste, e não vamos embora quietos. Patos já ficaram, índios estão no caminho, e ainda vamos de novo para a Califórnia. Vai, criançada, vai Red Wings.

terça-feira, 21 de maio de 2013

A festa começou

E aí, Joel.

Não vou chamá-lo de Papai Joel, em alusão ao homônimo nariz-de-coxinha que treina por essas bandas, porque, para o torcedor do Detroit Red Wings, você é uma mãe.

Quantas vezes um time seu enfrentou os Red Wings nos playoffs? Cinco. E quantas vezes um time seu perdeu para os Red Wings nos playoffs? Cinco.

Os Blues de 1997, 1998 e 2002, o Avalanche de 2008 e os Blackhawks de 2009 foram atropelados pelos Red Wings em seu caminho para a Copa Stanley, ainda que da última vez eles tenham ficado a um jogo do título.

Para quem é supersticioso, enfrentar um time seu é sinal de (muita) sorte. Cinco confrontos, cinco finais de Copa, quatro títulos.

Os Red Wings são supersticiosos, Joel. Até a televisão abriu espaço para o assunto durante a transmissão do jogo 3. Em todos os jogos nos playoffs, durante o aquecimento, ao faltarem três minutos para o fim, Niklas Kronwall chuta o disco para uma defesa de luva de Jimmy Howard. Ninguém do elenco atual sabe explicar ao certo o por quê. Apesar disso, eles mantêm vivo um hábito que já ganha contornos de tradição, que se repete religiosamente desde 2002, inventado por Nicklas Lidstrom e Dominik Hasek.

Com os torcedores não seria diferente. No grupo Red Wings Brasil no Facebook, os seguidores não permitem que determinado torcedor escreva sobre o time. Pior, o nome do sujeito sequer pode ser mencionado. Segundo eles, dá azar. Há até um roteiro definindo quem deve escrever o tópico do dia do jogo eu mesmo escrevi um e não me atrevi mais, porque o Detroit perdeu naquela noite.

Você deve ter em mente que este novo encontro com o Detroit é diferente. Ao contrário das outras vezes, agora o seu time é o favorito. Foi o Chicago que ganhou de todo mundo durante a temporada regular e conquistou o Troféu dos Presidentes com semanas de antecedência, que enfiou 7-1 nos Red Wings na Joe Louis Arena, onde venceram nove dos últimos dez jogos, e que é o maior favorito a conquistar a Copa Stanley de 2013.

Os seus outros times entraram sempre como azarões, eram a zebra, sem a responsabilidade de ter que vencer, papel que agora cabe ao Detroit. Ao Chicago sobra a obrigação de ganhar e a certeza de que a torcida não vai perdoá-lo se algo diferente disso acontecer.

E depois de três jogos, os Blackhawks perdem o confronto por 2-1.

E agora, Joel?

Nunca fez tanto sentido a seguinte máxima: o Chicago é imbatível, exceto quando perde para o Detroit.

E não foram duas derrotas ao acaso. Os Red Wings superaram os Blackhawks em quase todas as situações de jogo.

Você viu os números? 37 a 29 em faceoffs, 28 a 22 em trancos, 15 a 12 em chutes bloqueados. É verdade que nos times especiais houve empate e que o Chicago chutou mais ao gol (40 a 30), mas de que adianta se o goleiro Jimmy Howard não deixa passar nada?

Em dois jogos, Howard defendeu 58 dos 60 chutes. O goleiro acumula excepcionais 92,3% de defesas nos playoffs, mas considerando apenas os jogos contra os Blackhawks o índice supera os 95%. Enquanto isso, Corey Crawford sofreu 7 gols em 60 chutes.

Isso não muda a realidade: o Detroit tem o time menos qualificado do confronto, mas os últimos 120 minutos não deixaram dúvidas sobre quem tem o time mais esforçado, Joel.

No jogo 3, os Red Wings contaram com gols da linha 3 e da linha 4, num intervalo de apenas 31 segundos, para abrir 2-0 no placar, primeiro com um golaço de Gustav Nyquist, que nunca mais sairá do time, depois com Drew Miller, um gol sujo, gol de playoffs.

Quem é o Miller do seu time? Quem é o Patrick Eaves dos Blackhawks? Não venha me dizer que é o babaca do Andrew Shaw!

Eu sei que o Detroit distribuiu trancos a noite inteira, que Justin Abdelkader e Johan Franzen cansaram de carimbar seus jogadores nas bordas e que tudo isso contribuiu para o clima de rivalidade que tomou conta da Joe, mas a atitude de Shaw nos instantes finais rebaixa a nota do Chicago. Um time sem classe.

Não gostaria de falar de arbitragem, mas lhe dou razão quando você reclama do gol mal anulado. Eu também acho que não foi nada e que o empate naquele momento poderia mudar a história do jogo e do confronto. Acho que os árbitros sentiram a pressão por causa do gol anterior, aquele em que o Niklas Hjalmarsson quase matou o Franzen e, na sequência do lance, Patrick Kane desencantou. Um erro para compensar o outro, ao meu ver.

A reação do Chicago acabou em outro gol antológico de Pavel Datsyuk. Quando o russo pega o disco do lado esquerdo, perto do círculo de faceoff e chuta, a torcida já se levanta comemorando. Virou macete.

Você deve estar se perguntando por que escolhi você como destinatário desta carta.

Eu poderia escrever para Carlo Colaiacovo, que parecia o Chris Chelios, em sua melhor atuação com a camisa vermelha. Ou para Henrik Zetterberg, que tem super-poderes e consegue fazer os outros (Jonathan Toews) ficarem invisíveis. Ou para Miller, que se joga para bloquear três chutes em desvantagem numérica da mesma forma que se atira para empurrar o disco pro gol. Ou para Howard, que se tornou um goleiro intransponível. Ou para Nyquist, que demonstrou muita tranquilidade para marcar um gol maravilhoso...

Eu não consegui escolher apenas um nome dos Red Wings, então preferi escrever pra você.

Joel, muito obrigado por tudo.

Red Wings: o time da padaria.


A boa e velha tática do time da padaria deu certo.

Começou assim... atacando em bolo, defendendo em massa e, depois, evoluímos para delicatessen. Chique, né? É, mas melhora. 

O jogo de ontem foi tão absurdamente chocante que até os padeiros ruins (queima-rosca) atuaram bem. Arriscaria dizer que atuaram de forma irrepreensível. 

Ontem publiquei no grupo a seguinte sentença: “Se um time são cinco jogadores de linha, aí vão: Datsyuk-Miller-Eaves-Smith-Ericsson.”

Falando de quem realmente importa, já que falar de Datsyuk seria como tentar justificar a existência de Deus, vamos lá, de um por um.

Smith: Vê-lo jogar é como ver Larry Murphy. Por algum motivo que ninguém sabe explicar, mistura segurança com displicência e consegue alternar uma atuação absolutamente sólida com um “que merda é essa” num intervalo de... dois minutos.
Ontem não. Ontem ele esteve como um aluno perfeito. Ele erra e, se for possível, ele erra de novo, mas faz isso querendo acertar e tem acertado. Parabéns, garoto. Seja o próximo Fredrik Olausson. Isso é o mais próximo de um sueco que você vai chegar. E já é muita, muita coisa mesmo.

Ericsson: Ele é quase um X-Man. Um mutante de Lebda com Lilja e um toque de Fetisov. Nos últimos jogos ele tem-se tornado confiável e, preconceitos à parte, tem sido fácil ver surgir nele uma certa classe dos defensores antigos, como um Al MacInnins da vida.

Seu grande problema, admito, está entre as orelhas. A cabeça dele não bate muito bem e acha que por já ter jogado em quatro playoffs é experiente o bastante pra jogar como se fosse um defensor confiável. Quando joga com o coração, não; é bom.

Miller: Não tenho muito a falar do vovô. O que sei é que ontem ele foi absurdo no gelo. Marcou bem. Bloqueou muitas tacadas – três em um mesmo powerplay. Fez double shift. E fez gol. Se você ficou com o pé atrás com a saída de Samuelsson para sua volta, fique tranquilo. Estamos em melhores mãos, pés, joelhos e tudo mais que ele possa usar para ajudar a equipe.

Eaves: 8:20 no gelo. Duas tacadas a gol. Uma assistência. +1. Ele foi o segundo menos presente no gelo (atrás de Emmerton Who, que teve 7:30) e a gente o via o tempo todo. Defendeu bem, fez parte do confeito do bolo que fez o segundo gol e, sem dúvida, merece meu respeito.

Eu sei que todos esses caras poderão – e muito provavelmente não perderão a chance de – fazer com que eu me arrependa de tudo isso. Mesmo que tenha sido uma única faísca de vontade, valeu.

Eu não quero um time que jogue direitinho e dê aula de hockey a cada jogo. Quero um time como o de ontem. Quero um time que entenda suas limitações e as supere. Quero um time que me faça ver que eles reconhecem que não são os melhores, mas fazem o melhor que podem. Quero o time de ontem amanhã e sempre.

Terminamos o jogo como uma patisserie.

Sentiu falta do Howard? Ele estava lá. Isto basta.

domingo, 19 de maio de 2013

Calder ou Stanley


Meu caro Smith,
não foi difícil escolher você como destinatário desta carta.

Afinal, depois da sua trágica atuação no jogo 1 contra o Chicago, você passou a ser analisado em um microscópio. Acredite, há milhares de torcedores dos Red Wings olhando com aflição quando a camisa número 2 aparece no gelo.

Alguns desses torcedores sugeriram trocá-lo por Ian White no time titular, mas Mike Babcock lhe defendeu como um pai defende seu filho. Ele lhe protegeu e assegurou que deste time você não sairia. Voto de confiança.

Aí veio o jogo 2 e, ainda no primeiro período, um bote errado seu abriu um buraco na defesa e causou um gol. Imagine o que passou na cabeça do treinador, talvez algo como "Smith de novo". Os Red Wings já perdiam o confronto e poderiam, pela primeira vez nos playoffs, ficar dois jogos atrás.

A julgar pelos seus primeiros 75 minutos contra o Chicago, parecia que logo, logo você estaria disputando as finais de conferência da Copa... Calder. O Grand Rapids Griffins ficaria muito agradecido.

Smith, você se esqueceu? Tudo que Babcock lhe pediu foi para pensar no que Nicklas Lidstrom faria, algo tão simples de fazer quanto transformar água em vinho, multiplicar os pães ou criar o mundo em sete dias.

Para completar, seu parceiro de defesa, Kyle Quincey, disse em uma entrevista que o papel dele era cuidar de você. Uhn... é como se o Bart Simpson fosse ensinar boas maneiras para a Lisa.

Ninguém pensa como Lidstrom, mas também não precisa pensar como Maxim Kuznetsov, pô!

Um jovem defensor de 23 anos, em sua primeira temporada completa na NHL. Às vezes as pessoas se esquecem que a sua carreira profissional apenas começou e que o aprendizado é provido pelo tempo.

Você mereceu críticas tanto quanto merece elogios.

E há algo no seu jogo que muito me agrada. Você não foge das suas oportunidades, não tem medo de arriscar. Foi por isso que marcou o segundo gol. Se não fosse a sua visão e o seu posicionamento no ataque, o que Henrik Zetterberg faria com aquele disco? Provavelmente seria mais uma defesa de Corey Crawford.

Quando você marcou o gol que mais tarde seria o da vitória, definitivamente eu soube para quem escrever.

Jamais gostaria de contrariar Babcock, mas em vez de pensar no que Lidstrom faria, faça como Zetterberg. Ele está aí do seu lado, é mais fácil imitá-lo do que exercitar a imaginação para deduzir o que o Senhor Perfeito faria.

Qual o tamanho da atuação do Capitão? Ele parou Jonathan Toews com a força de quem pararia Wolverine, Batman e Super-Homem. Juntos. E ainda deu duas assistências primárias, uma para você, a outra naquele belo gol de Valtteri Filppula.

A julgar pelos 60 minutos dos Red Wings no jogo 2, pode ser que logo, logo você esteja disputando as finais de conferência da Copa... Stanley.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Todo poderoso Chicagão


Saudoso Helm,
não, desta vez não é o Calciolari quem lhe escreve, portanto não espere encontrar no decorrer desta carta nenhum apelido megalomaníaco.

Eu sei que você começou a sua carreira nos Red Wings em 2008, conquistando logo de cara a Copa Stanley, mas foi em 2009 que você nos conquistou, um prêmio tão valioso quanto a Copa, naquela série contra o Chicago Blackhawks.

É claro que você sabe do que eu estou falando. Sim, daquele turno histórico em que você matou, sozinho, 25 segundos de uma vantagem numérica do adversário. Você bateu um, dois, três oponentes de uma vez, roubou o disco, quase marcou um gol, roubou de novo, escapou de um tranco e foi ovacionado de pé pela torcida na Joe Louis Arena, que soube reconhecer o esforço de um batalhador.

Não foram só 25 segundos a menos no relógio, foram 25 minutos de inspiração e motivação para os seus companheiros e uma hora e meia de vergonha para os adversários.

Era o segundo período do jogo 5 das Finais da Conferência Oeste.

Sim, Helm, o jogo que você decidiu um com gol na prorrogação. E eu não sei o que foi mais notável, marcar o gol da vitória simplesmente ou marcar o gol da vitória com Brett Lebda e Mikael Samuelsson ao seu lado.

Os Red Wings eliminaram os Blackhawks em cinco jogos.

Helm, será que você poderia voltar a jogar hoje mesmo? Mas não é só jogar por jogar, não. Nós precisamos de turnos como aquele, de gols como esse, porque estamos enfrentando o Chicago novamente e parece que o confronto não vai terminar bem pra nós.

Onde quer que você esteja, imagino que tenha assistido ao jogo 1. Parecia bobinho, aquela brincadeira em que alguém corre atrás da bola enquanto os outros se divertem tocando de um lado para o outro. Os Blackhawks colocaram os Red Wings na roda, fizeram eles de gato e sapato.

E, pior, somente quando foi preciso, do meio do segundo período pra frente, porque na primeira metade do jogo parecia que os caras estavam apenas se aquecendo, o suficiente para não permitir que os Wings assumissem a liderança no placar. Depois disso seus companheiros não viram a cor do disco.

Se você estivesse lá, Joakim Andersson não estaria. Nada contra o garoto, mas ele esteve no gelo em 11 dos 25 gols sofridos pelo Detroit nos playoffs. Em quase todos eles, a situação era de 4-contra-5, justamente a sua especialidade.

Faltou velocidade para o time, que ficou encurralado na defesa, com os atacantes do Chicago montados em cima e dando chicotadas no lombo. E aí sobrou para Jimmy Howard, massacrado com mais de 40 chutes ao gol. Não fosse pelo goleiro, o placar poderia ter atingido os dois dígitos.

Eu sei que você se recupera de uma grave lesão e que planeja retornar em outubro próximo, mas se houver 1% de chances de você voltar em maio, é melhor correr. Por favor.

Você sabe o que fazer, não sabe?





quarta-feira, 15 de maio de 2013

Começa a despedida

Se você acha que a "despedida" é da temporada, e que os Red Wings vão perder essa série, e que devemos ficar felizes por chegarmos aos playoffs e surpreender na primeira rodada? Não gosto de você. A despedida é de Chicago, que não é exatamente nosso maior rival (Toronto? Montreal?), mas é a equipe que mais enfrentamos na história (contando com a pós-temporada, apenas Boston e Montreal se enfrentaram mais vezes).

Pois é, a temporada sofrida e a série passada não me ensinaram nada, continuo tendo certeza que Detroit tem a melhor de franquia de hóquei da NHL, e por um só motivo: é verdade. Essa história de comemorar classificação e aproveitar para dar experiência à garotada é papo de perdedor, e essa postagem vai esperar até estarmos a um jogo da eliminação (e vocês sabem que ainda vai ter um último parágrafo dizendo "dane-se, os Wings vão ganhar").

E essa é a chave da série: colocar na cabeça que os Blackhawks estão liderando a série por 3 a 0. Se precisamos ganhar os últimos quatro jogos da temporada para chegar aos playoffs, e os dois últimos jogos semana passada para passar de fase, agora o negócio é jogar com a corda no pescoço desde o começo.

Às 21h de Brasília, Detroit e Chicago começam seu duelo, ao vivo na ESPN+, nos links cheios de vírus ou pra quem tiver que assistir em VT no Gamecenter. Direto da cidade em que ninguém conhecia hóquei até 2010, os Wings vão atropelar uns índios.


Blackhawks (1) vs Red Wings (7)


Segunda rodada


ChicagoEstatísticasDetroit
77Pontos56
36Vitórias24
7Derrotas16
5OT/SO8
3.10Gols pró/jogo2.54
2.02Gols contra/jogo2.29
16.7PP (%)18.4
87.2PK (%)81.7

Calendário

15/05 - Quarta-feira - 21h - Chicago
18/05 - Sábado - 14h - Chicago
20/05 - Segunda-feira - 20h30 - Detroit
23/05 - Quinta-feira - 21h - Detroit
* 25/05 - Sábado - A definir - Chicago
* 27/05 - Segunda-feira - A definir - Detroit
* 29/05 - Quarta-feira - A definir - Chicago

* Se necessário

Histórico em temporada regular

  • Total, desde 1926: 363 vitórias de Detroit, 278 vitórias de Chicago, 84 empates
  • Desde o locaute 2005: 28 vitórias de Detroit, 24 vitórias de Chicago
  • Em 2013: quatro vitórias de Chicago, três delas depois do tempo regulamentar
  • Séries de playoffs: 7 vitórias de Detroit ('41, '63, '64, '66, '87, '95, '09), 8 vitórias de Chicago ('34, '44, '61, '65, '70, '85, '89, '92)

terça-feira, 14 de maio de 2013

A resposta de Abdelkader


Prezado Humberto:
Que coisa, não? Eu sabia que esse dia ainda chegaria. Como o mundo dá voltas, não é mesmo?

Quando eu interceptei aquele passe na linha azul e disparei em velocidade, só passava pela minha cabeça a oportunidade que estava no meu taco para calar de uma vez por todas a boca dos críticos. Para calar a sua boca, Humberto.

E então eu fiz alguns movimentos para enganar o goleiro e chutei por baixo das pernas. Um golaço, que nos deu a liderança no placar e a tranquilidade para seguir em frente.

Gol esse que, para um torcedor desatento, poderia ter sido marcado por Pavel Datsyuk ou Henrik Zetterberg ou até mesmo Alexander Ovechkin, pelo número 8 na camisa, mas não. Esse gol foi meu.

Está lá na ficha do jogo:

1.° período
16:37 - (SHG) Justin Abdelkader (2)

J-U-S-T-I-N  A-B-D-E-L-K-A-D-E-R.

Quem é o "atacante de quarta linha" agora? Quem é que não marca gols como um "atacante normal", "com o taco e contra um goleiro"? Nós estávamos em desvantagem numérica, éramos pressionados... caramba, jogo 7 e eu fui lá e meti um gol com um jogador a menos. Realmente, não teve nada de normal, apenas de extraordinário.

Se eu pudesse oferecer esse gol com uma dedicatória, ela seria escrita assim:
CHUPA, Humberto! CHUPA Brasil, Minas Gerais, Ceará, São Bernardo do Campo, Taguatinga! CHUPA futebol, carnaval, Michel Teló, língua portuguesa, Rede Globo! CHUPA Red Wings Brasil e todo mundo do Facebook!
Fico imaginando a sua cara de bobo. Você comemorou? Gritou o meu nome em plena madrugada? Agradeceu a mim pelo gol?

Vamos para a segunda fase e eu vou continuar na primeira linha. Você vai ter que me engolir.

Quero só ver o que você vai escrever lá naquele tal de Red Wings Brasil. Porque aquele jogador cujo "lugar é a quarta linha", que afundou Datsyuk e que "vive de sua raça" marcou o gol mais importante do ano para o Detroit.


PS: Obrigado por ter me defendido após o jogo 3.

Justin Abdelkader,
o caçador de Patos